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Blog Literatura e Política
por Felipe Pena


Felipe Pena é jornalista, psicólogo, roteirista e professor da UFF.

Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia pela Sorbonne, é autor de 15 livros e diretor do documentário "Se essa Vila não fosse minha". Visiting Scholar na New York University.

Foi sub-reitor da Universidade Estácio de Sá entre 1999 e 2004 e comentarista do Estúdio I, na Globonews, entre 2013 e 2015.

Escreve semanalmente no Jornal Extra.






Um governo no viaduto e a educação trajando luto
Por: Felipe Pena em 11/12/2017


A violência não lembrou Carlitos, lembrou a ditadura. Agentes da policia federal invadiram o campus da UFMG e levaram o reitor. O instrumento utilizado foi o da condução coercitiva, que só pode ser acionado em casos excepcionais de recusa. Mas os agentes não estavam preocupados com a legalidade, apenas com o espetáculo. Um espetáculo semelhante ao que prendeu o reitor da UFSC há três meses, levando-o ao "suicídio" por causa da humilhação.

O título da operação também foi uma violência. Ao batizá-la de esperança equilibrista, a polícia federal sequestrou um dos símbolos da anistia e da própria luta contra a ditadura para reforçar sua estratégia de humilhação. Estratégia que tem como pano de fundo um objetivo maior: o desmonte da universidade pública no país.

Os eventos não são isolados. Juntam-se a eles os cortes de verbas das instituições, a nota oficial do Banco Mundial a favor da privatização das universidades públicas e a demissão de 1.200 professores da Estácio, concebido a partir de uma reforma trabalhista que (agora comprovadamente) destruiu direitos e de uma internacionalização do ensino superior privado que visa a construção de um oligopólio na área.

As ações violentas da polícia federal e o desmonte do ensino universitário gratuito foram promovidos por grupos políticos que se apropriaram do governo brasileiro. O mesmo governo que comanda a polícia, congela gastos sociais e favorece os oligopólios internacionais cuja preocupação com o lucro exclui investimentos na pesquisa e na extensão.

Precisamos reagir ao sequestro semântico de um símbolo político de tantos brasileiros que lutaram pela anistia e deram a vida pela democracia. Brasileiros que partiram no rabo de foguete da ditadura e voltaram com o irmão do Henfil. Brasileiros que não merecem a violência de um governo que se equilibra em um viaduto cujas pilastras já foram corroídas pelo descaso com a educação e por malas de propina que irrigam a quadrilha do Palácio do Planalto.

Se este viaduto não cair, o país está condenado ao luto de sua própria embriaguez.








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